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Novo estudo aponta congelamento de tecido ovariano como opção para mulheres que desejam ter filhos depois dos 40 anos

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Nova pesquisa mencionada em matéria da revista Veja de outubro deste ano me chamou a atenção. A questão do congelamento de tecido ovariano está, definitivamente, muito em voga, mas além de falar a respeito da técnica e de seu valor indiscutível, é preciso tratar sobre alguns pontos que talvez não sejam tão discutidos pela mídia.

Realmente o congelamento de tecido ovariano é uma alternativa para a preservação da fertilidade superior ao congelamento de óvulos, pois oferece uma perspectiva de um maior número de óvulos recuperados. Na opção do congelamento de óvulos, temos que lançar mão da fertilização in vitro (FIV/ICSI), após o descongelamento, quando a mulher quiser engravidar futuramente. Quanto mais óvulos ela tiver congelado, maiores serão as chances de conseguir obter a gestação – lembrando sempre que nem todos os óvulos resistem ao congelamento, nem todos que resistem fertilizam, nem todos que fertilizam se transformam em embriões de boa qualidade para transferência e nem todos os embriões transferidos para o útero conseguem implantar para uma gestação.

Já no congelamento de tecido ovariano, o próprio ovário retoma a sua função e a gestação pode ocorrer de forma espontânea, natural… ‘Como nos velhos tempos’. No entanto, é importante lembrar que a fonte também se esgota. Um fragmento muito pequeno de tecido tem um estoque de óvulos menor que um fragmento maior, obviamente. Os ovários têm uma superfície de aproximadamente 30 cm² e cada centímetro dessa superfície (é na superfície que fica a reserva dos óvulos) terá uma capacidade variável de óvulos, o que varia de mulher para mulher e de sua idade.

O Dr. Sherman Silber, mencionado na matéria, tem algumas gestações de sucesso com a técnica de congelamento de tecido ovariano e é um cientista que vem obtendo importantes conquistas nesta área, mas a maioria de suas pacientes teve o tecido congelado por motivos de câncer ou por transplante de irmãs gêmeas idênticas, quando uma delas tinha falência ovariana. Na maioria das vezes, um dos ovários era retirado totalmente e vários fragmentos eram congelados.

No entanto, ainda não se tem respostas de quanto de ovário, na juventude, se deve tirar para garantir a retomada do funcionamento daqueles fragmentos congelados. Por isso, eu fico com o Dr. Tony Rutherfor (também citado por Veja) quando diz que é necessário se ter um maior número de casos analisados antes de se oferecer esta técnica com um seguro garantido da fertilidade feminina.

Outro ponto importante que também deve ser considerado é o valor do tratamento. Não é correto comparar custos de maneira simplista, afirmando que em uma técnica é necessário a FIV/ICSI e na outra a gestação pode ocorrer de forma espontânea (o que nem sempre ocorre). A cirurgia para retirada dos fragmentos de ovário, o congelamento desse material, a manutenção do tecido congelado, o descongelamento futuro, a cirurgia para reimplante e o acompanhamento clínico desse tratamento também têm custos elevados. Assim, o mais indicado ainda é discutir caso a caso com o especialista e aguardar o avanço das pesquisas na área para garantir a validade dessa técnica para mulheres saudáveis acima de 40 anos.

Maria Cecília Cardoso
Embriologista e chefe do laboratório de Reprodução Humana Assistida do Centro de Fertilidade da Rede D’Or

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