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A preservação da fertildade em pacientes com câncer

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A preservação da fertilidade é um debate que vem ganhando força há alguns poucos anos. Matéria da Folha de São Paulo de ontem traz uma pesquisa importante realizada nos EUA com 613 oncologistas que levou a sociedade americana de oncologia clínica a elaborar um novo guia com orientações sobre a preservação da fertilidade de pacientes com câncer. Ela constatou que apenas 25% dos oncologistas orientam seus pacientes sobre a preservação da fertilidade antes de se tratarem. Vale a pena ler na íntegra:

https://www1.folha.uol.com.br/folha/equilibrio/noticias/ult263u600807.shtml

Novos tratamentos, novas medicações e um maior conhecimento sobre a forma de evolução dos tumores têm permitido a realização de tratamentos menos agressivos e com melhor taxa de sobrevida para os pacientes com diagnóstico de câncer. Mas, infelizmente, certos aspectos do tratamento ainda são negligenciados, principalmente em relação à vida após o câncer.

A formação oncológica sempre foi muito desgastante; nunca é fácil dar um diagnóstico que pode significar a morte de alguém. Dizer ao paciente que ele terá que se submeter a sessões onde medicações e tratamentos causarão náuseas, queda de cabelo, ou recomendar cirurgias que podem ser mutilantes faz parte do dia-a-dia desses profissionais.

Os oncologistas lutam diariamente com pacientes entre a vida e a morte. Então, sob sua ótica, sobreviver é a vitória. E, graças a eles e às pesquisas que vêm desenvolvendo, as vitórias são cada vez mais frequentes. A batalha é vencida, mas a guerra continua, a vida continua… E realizar o sonho da gestação faz parte dessa vida.

A medicina cada vez mais avança na tentativa de facilitar a gestação dessas pessoas. Para os homens, a preservação de sêmen é uma técnica já muito bem estabelecida, com ótimos resultados e de fácil realização. Já a preservação da fertilidade da mulher é mais complicada.

Existem técnicas que permitem a preservação de óvulos com boas taxas de gravidez, contudo é necessária a captação desses óvulos. E tempo é algo que muitas não têm antes da quimioterapia.

Outras técnicas também vêm sendo desenvolvidas, como o congelamento do tecido ovariano. Atualmente, já existem crianças nascidas dessa forma, mas só em alguns anos esta deverá ser uma prática bem estabelecida.

Enquanto essas opções não são uma realidade para todas, é preciso conscientizar médicos e pacientes quanto à necessidade de se realizar qualquer procedimento que possa ajudar a preservar a fertilidade, como a menopausa medicamentosa. Ela não é garantia definitiva de preservação da fertilidade, mas vários estudos já mostram seus benefícios.

A escolha do tratamento quimioterápico e radioterápico a ser utilizado também deve ser avaliada segundo esse aspecto. Em alguns casos, já é possível dar preferência a drogas que não agridam tanto os ovários.

O que importa é que muito já é feito com sucesso, está sendo desenvolvido, ou se encontra em fase de estudou nessa área. Cada vez mais a ciência avança na tentativa de vencer essa nova batalha. Porém, um passo importante que ainda tem de ser dado é a mudança da visão do câncer pela medicina. Mas pesquisas como a da sociedade americana de oncologia clínica mostra que também nesse aspectos já podemos comprovar importantes progressos.

Carpe diem

Por Dr. Cassio Sartorio
Ginecologista da equipe do Centro de Fertilidade da Rede D’Or

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