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Congelamento de óvulos e tecido ovariano

Nasceu recentemente o oitavo bebê oriundo de óvulos gerados a partir de tecido ovariano congelado. Pode parecer uma notícia banal, mas preservar a fertilidade feminina não é uma tarefa simples. Para as mulheres jovens e sadias que querem retardar a maternidade, a solução surgiu apenas recentemente com o sucesso do congelamento por uma técnica chamada vitrificação. Mesmo assim, são necessários alguns ciclos de estimulação ovariana para a coleta de um número adequado de óvulos, garantindo melhores chances de gravidez no futuro.

Pesquisando na internet, encontrei um artigo interessante sobre o tema, que explica bastante bem como funciona a técnica. Vale a pena a leitura. Clique aqui para ler.

A preservação da fertilidade feminina ainda é um obstáculo a ser vencido pela medicina reprodutiva. Diferente do homem, a mulher não tem formação de novos gametas (óvulos). Ela já nasce com um estoque limitado, que vai sendo consumido ao longo da vida. Portanto, quando é necessário enfrentar um tratamento para câncer, que sabidamente vai comprometer esta reserva de óvulos pré-existentes, é necessário agir rápido no intuito de preservar a fertilidade, caso ela ainda não tenha realizado seus planos de maternidade.

Existem duas alternativas para estas mulheres: congelar óvulos ou embriões (no caso da mulher ter uma união estável), ou congelar tecido ovariano para, após alta do tratamento do câncer, tentar restabelecer a função dos ovários após o auto-transplante. O congelamento de óvulos já é uma técnica bem estabelecida e de grande sucesso, no entanto para se obter os óvulos em quantidade segura para garantir uma futura gestação é necessário o uso de medicamentos para estimulação da ovulação, processo que dura aproximadamente 20 dias. Na maioria das vezes, o tratamento para o câncer não pode esperar tanto tempo. Além disso, nem sempre apenas um ciclo de estimulação vai gerar quantidade suficiente de óvulos para garantir a chance de uma gestação futura. A outra desvantagem é que, dependendo do tipo de câncer, existe contra-indicação formal para o uso desses medicamentos, pois eles podem aumentar o grau de malignidade do mesmo.

Por esses motivos, o congelamento do tecido ovariano é a alternativa mais adequada para a preservação da fertilidade em vários tipos de câncer. O que se tem feito com sucesso é a retirada cirúrgica de um dos ovários (ou de parte do ovário), que é cortado em pequenos pedaços para serem congelados. Esta conduta pode ser tomada em menos de três dias o que não adia o tratamento do câncer. Quando a paciente estiver curada e desejar a gravidez, faz-se o auto-transplante daqueles pequenos fragmentos de ovário, para o segundo ovário, ou outros sítios do corpo. Como a viabilidade dos fragmentos é pequena, geralmente têm sido utilizadas técnicas de reprodução assistida (com captura dos óvulos e fertilização in vitro) para se obter a gestação mais prontamente.

A série de casos mais bem documentada até o momento foi feita na Dinamarca. Em um artigo publicado em 2008, os autores relataram que de 252 mulheres que tiveram o tecido ovariano criopreservado, apenas seis haviam solicitado o auto-transplante até aquela data. Todas as seis recuperaram a função do ovário em torno de 20 semanas após o transplante e esta função durou de forma variável entre delas (de sete a 45 meses), algumas vezes sendo necessário um segundo transplante com o material congelado que restou. Três mulheres conseguiram a gravidez, sendo que uma abortou e duas deram à luz.

Contudo, o auto-transplante de tecido ovariano congelado não é indicado para todos os tipos de câncer. Em alguns, como a leucemia, por exemplo, pode haver o risco de se reintroduzir células malignas no corpo da paciente. No entanto, a técnica é uma esperança cada vez mais concreta para um grande número de mulheres jovens acometidas por essa doença e que desejam de ser mães no futuro.

Dra. Maria Cecília Cardoso
Embriologista – Diretora do laboratório do Centro de Fertilidade da Rede D’Or

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