vida_icon

Governo canadense defende limite de um embrião em processo de fertilização in vitro

A questão da implantação de embrião único é uma discussão muito atual em reprodução assistida. Especialistas da área e embriologistas vêm trabalhando duro para que só se precise transferir um embrião a cada procedimento de fertilização in vitro. Segundo notícia do portal R7 – abaixo – no Canadá, país que arca com os custos do tratamentos para quem tem problemas de fertilidade, estão sendo criadas regras mais severas quanto ao número de embriões transferidos, já que os riscos e valores envolvidos em uma gestação de gêmeos são muito altos.

Melhorando as condições laboratoriais para o desenvolvimento dos embriões, já é possível hoje ter critérios mais precisos de seleção daqueles embriões com maior capacidade de implantação. No entanto, a transferência de embrião único é uma relação delicada de custo-benefício nos tratamentos de reprodução assistida. A maioria dos países que defendem a transferência única tem também programas governamentais de cobertura do tratamento, ou seja, o sistema de saúde governamental se responsabiliza, junto com a comunidade médica e pacientes, com os sucessos e insucessos dos tratamentos. Além disso, as melhorias das condições laboratoriais têm custos altíssimos e, por isso, é importante não apenas legislar sobre o assunto, mas também criar incentivos para viabilização dos tratamentos. De outra forma, o ônus recai sempre sobre os pacientes.

Médicos defendem limite de um embrião em processo de fertilização in vitro

Pesquisadores dizem que restrição pode diminuir número de recém-nascidos internados

Do R7, com France Presse

Se as mulheres que se submetem a tratamentos de fertilização in vitro (FIV) se limitassem a transferir um embrião por vez, vidas seriam salvas e dinheiro seria economizado, devido a menores complicações que acontecem em nascimentos múltiplos. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (14).

De acordo com eles, no Canadá haveria 840 menos bebês internados na NICU (Unidade de Tratamento Intensivo Neonatal, sigla em inglês), e 42.400 dias a menos de hospitalização se isso fosse adotado.

A NICU tem um custo diário de R$ 1.600 (US$ 1.000) por bebê, o que significa que seriam economizados R$ 67 milhões (US$ 42,4 milhões) por ano se a transferência de embriões fosse restrita, segundo dados reunidos pelos médicos da Universidade de Montreal.

As mulheres que têm dificuldades para engravidar optam muitas vezes pela fertilização in vitro. As pacientes podem optar pela transferência de vários embriões de uma só vez, com a esperança de aumentar as chances de engravidar e para reduzir a quantidade de vezes que o procedimento é realizado, já que ele é muito caro.

No Brasil, uma resolução do CFM (Conselho Federal de Medicina) define o número de embriões a serem implantados no útero de acordo com a idade da paciente. Mulheres com até 35 anos de idade podem ter até dois embriões implantados. Pacientes com idade entre 36 e 39 anos, até três embriões, e acima de 40 anos de idade, podem ser implantados até quatro embriões.

Os pesquisadores de Montreal decidiram examinar os registros do Royal Victoria Hospital de Quebec para determinar o impacto da fertilização na gestação de gêmeos, trigêmeos e outros múltiplos.

No ano passado, a província de Quebec decidiu que pagaria três ciclos de FIV para as pessoas em tratamento, mas fixou a política de transferir um embrião por vez.

Os pesquisadores analisaram os registros entre 2005 e 2007, anteriores ao estabelecimento dessa política. Durante esse período, 17% dos bebês internados na NICU (um total de 82) eram de nascimentos múltiplos resultantes de tratamentos de fertilidade, e 75 deles provinham da transferência de vários embriões.

Keith Barrington, principal autor do estudo publicado no US Journal of Pediatrics, diz que, “entre esses 75 bebês, houve seis mortes, cinco que desenvolveram sangramento cerebral e quatro bebês que desenvolveram potencial cegueira”.

Se o resto do Canadá seguir a mesma política de Quebec, os nascimentos múltiplos e suas complicações cairiam drasticamente, argumenta o estudo, que recomenda que toda a regulamentação seja acompanhada por uma política de reembolso por qualquer custo adicional que os futuros pais tenham.

Para ler a matéria no portal R7, clique aqui.

Dra. Maria Cecília de Almeida Cardoso
Embriologista e chefe do laboratório do Vida – Centro de Fertilidade da Rede D’Or

Compartilhe este artigo

Este site usa cookies para garantir que você obtenha a melhor experiência em nosso conteúdo.