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O que atrai o espermatozóide?

A revista Veja recentemente publicou o resultado de duas pesquisas muito importantes em termos de genética reprodutiva, que podem ajudar a medicina moderna a desenvolver técnicas contraceptivas e de reprodução assistida mais eficazes. Os dois trabalhos, realizados por pesquisadores da Alemanha e dos Estados Unidos, consegue analisar o importante papel da progesterona na forma como o espermatozóide penetra dentro do óvulo.

Além disso, a partir dessa descoberta, é possível se explicar alguns casos de infertilidade. Segundo o estudo, existem casos em quem o organismo da mulher não produz quantidade suficiente de progesterona, de modo que o espermatozóide não consegue responder bem ao hormônio femino e, com isso, fecundar o óvulo.

O que atrai o espermatozóide?

A corrida do espermatozóide para alcançar o óvulo não é fácil. Quando ele finalmente chega lá tem que atravessar camadas espessas de muco que envolvem o óvulo para conseguir penetrá-lo e permitir que seu genoma funda-se finalmente ao do óvulo, um processo denominado fertilização. Sabemos que o hormônio feminino progesterona tem um papel importante nesse processo. Mas não sabíamos como ele regulava a corrida e a penetração do esperma dentro do óvulo. Dois trabalhos independentes, realizados por pesquisadores da Alemanha e Estados Unidos, publicados na revista Nature desse mês, mostram como o esperma reage ao progesterona. Essas pesquisas – além de poder esclarecer alguns problemas de infertilidade – poderão ajudar a desenvolver novas drogas contraceptivas.

A progesterona ativa um canal de cálcio no espermatozóide humano

Em experimentos anteriores já foi mostrado que os espermatozóides se direcionam para áreas com altos níveis de progesterona. Esse hormônio também ativa o flagelo, que move o esperma, um fenômeno denominado de hiperatividade. A novidade é que a progesterona ativa um canal do espermatozóide, chamado CatSper, permitindo a entrada de cálcio dentro da célula reprodutora masculina. Camundongos que não têm esse canal são inférteis e isso já foi observado também em alguns homens que têm mutações nos genes responsáveis pela produção desse canal. Espermatozóides sem esse canal também não podem tornar-se hiperativos.

Como foram os experimentos?

Os pesquisadores americanos desenvolveram um método para medir a corrente elétrica gerada por íons como o cálcio (de modo análogo à corrente elétrica dos neurônios ou células nervosas). Verificaram que quando adicionavam progesterona, o hormônio feminino, havia um aumento da atividade elétrica e quando tratavam espermatozóides com um bloqueador do CatSper acontecia o contrário. Já os pesquisadores europeus mostraram que quando adicionavam progesterona aos espermas, o nível de cálcio dentro dos espermas aumentava instantaneamente

Infertilidade e contracepção

O mais interessante é que os resultados desse trabalho podem explicar alguns casos de infertilidade. Isto é, em alguns casos os óvulos não produziriam quantidade suficiente de progesterona ou alguns espermatozóides não reagem adequadamente em resposta a esse hormônio feminino. Segundo alguns cientistas, essa observação pode ser útil e facilmente contornada no processo de fertilização “in vitro” sobre o qual já escrevemos anteriormente quando falamos de diagnóstico pré-implantação.

Talvez o mais interessante seria a possibilidade de, a partir dessas descobertas, desenvolver uma droga que bloqueasse o canal de cálcio, e que seria um contraceptivo ideal. A grande vantagem é que aparentemente só os espermas é que produzem o canal CatSper e portanto seria um droga específica que poderia não ter muitos efeitos colaterais. E a outra grande vantagem é que poderia ser tomada tanto pelo homem como pela mulher.

Por Mayana Zatz

Confira a matéria também através do site da revista Veja.

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