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Tratamento tardio da endometriose pode impedir mulher de ser mãe

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Endometriose e Infertilidade No episódio inaugural do Podcast "Por Dentro da Fertilidade", a Dra. Maria Cecília Erthal, Diretora Médica do Vida Centro de Fertilidade, conversa com a Dra. Alessandra Evangelista sobre a endometriose, falando sobre os principais sintomas, a dificuldade diagnóstica, a relação com a infertilidade e as alternativas de tratamento.


Seis milhões de brasileiras sofrem com uma doença que muitas vezes passa despercebida pelos médicos: a endometriose. Se não for tratada cedo, pode impedir a paciente de ser mãe. Esse é o alerta feito no Simpósio de Ginecologia Minimamente Invasiva e Endometriose, realizado em Porto Alegre.

Entre os sintomas da endometriose está uma dor bem conhecida das mulheres: a cólica. A enfermeira Larissa Junckes entende bem dessa dor. Foram dez anos procurando explicação para elas, principalmente durante o período menstrual. “Muitas vezes, as pessoas não entendem que você está com uma dor incapacitante. Tinha época que eu não conseguia subir dois degraus de escada, desmaiei de dor várias vezes”, relata.

Casos como o de Larissa são estudados pelo Centro de Pesquisas do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, referência em tratamento de endometriose no país. A doença provoca o crescimento anormal do endométrio, tecido que fica dentro do útero e é eliminado pela menstruação. É o quando normalmente as cólicas se manifestam.

Nas pacientes com endometriose, a dor é maior: ao se desprender do útero, o endométrio se espalha pelo corpo e pode atingir outros órgãos. O resultado são dores constantes, inclusive durante as relações sexuais.

A endometriose é considerada pelos médicos a causa principal da infertilidade feminina e algumas mulheres sofrem até 12 anos para descobrir o problema. Por isso, os especialistas estão estudando formas mais simples de diagnóstico e as pesquisas já apresentam bons resultados.

Antes, só era possível diagnosticar a doença com exames de imagem, como a laparoscopia, uma pequena cirurgia que precisa de anestesia. Isso já ficou bem mais simples: um exame de sangue pode apontar o problema. Tudo depende da quantidade no organismo de um hormônio chamado prolactina e de uma substância conhecida como CA 125. Se houver alteração, há 85% de chances de a mulher ter endometriose.

“Em alguns casos, a gente tem que fazer a cirurgia, mas antes disso, se eu conseguir fazer o diagnóstico ou ter uma suspeita clínica forte baseado na clínica e nesses exames de sangue, ela não vai precisar esperar oito anos, ela vai tratar imediatamente o caso dela”, afirma o médico João Sabino Cunha Filho, professor do serviço de ginecologia do Hospital de Clínicas.

Quanto mais cedo o diagnóstico, maiores as chances da paciente evitar uma das maiores consequências da doença: a infertilidade. Larissa, por exemplo, deixou pra trás o sonho de ser mãe por causa de um diagnóstico tardio. “Que considerem a endometriose uma doença que pode ser diagnosticada cedo, que não deixem como eu, sofrer tantos anos e hoje ser incapaz de gerar uma criança porque não tive um diagnóstico precoce. Se eu tivesse tido um diagnóstico precoce, com certeza, eu poderia engravidar”, lamenta.

Confira a matéria no site do Jornal Hoje

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